quinta-feira, 31 de março de 2011

Livros - Excalibur (DL 2011)

Desafio literário - mês de março - livro 3



Em meio à correria que essa semana foi, ainda não sei como consegui terminar de ler esse livro. Mas eis que, novamente aos 45 do segundo tempo, chega a minha resenha para o desafio. Apenas recapitulando, esse mês eu li 3, e não apenas 2 livros para o desafio, e os escolhidos foram justamente os que compõem a trilogia As crônicas de Artur, de Bernard Cornwell.

Não vou ficar me repetindo nem fazer desta uma resenha muito longa. Eu já disse nas outras duas o quão envolvente e bem escrita a obra é, como um todo. Vou apenas destacar alguns pontos que me chamaram a atenção durante a leitura de Excalibur.

O primeiro deles é que o ritmo eletrizante mantido ao longo de todo o segundo volume diminui consideravelmente no início do volume final. O autor guarda a emoção para os dois últimos capítulos, que fecham a trilogia com chave de ouro, fazendo com que o leitor esqueça tudo o que ele já tenha lido, visto ou ouvido acerca da lenda Aturiana.

Mais uma vez, destaco também a narrativa das batalhas, com ênfase na final, entre Artur e Mordred. A evolução das personagens femininas no terceiro volume também merece destaque.

Li em algum lugar, não lembro exatamente onde, o comentário de um leitor indignado com o fato de a trilogia ainda não ter sido adaptada para o cinema. Pelolovedogod, que ninguém tenha essa idéia, pois eu não acredito que um filme, por mais que seja dividido em 10 partes, possa transpor para as telonas a riqueza de detalhes e a magnitude da história contada pelo autor. Para mim, nem a mais inovadora das tecnologias será capaz de ter a mesma força das palavras escritas por Cornwell nessa obra única e verdadeiramente fascinante.

Nota: 5, com louvor.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um dia não é nada...


Um dia não é nada. Em um dia não dá para conhecer alguém verdadeiramente, não dá para fazer nascer um grande amor, para solidificar uma amizade. Um dia é pouco para colocar a vida em ordem, para cumprir todas as promessas de final de ano, para realizar antigos sonhos, para planejar aquela viagem... Um dia é pouco para construir uma carreira, um futuro. Em um dia não se perdoa uma decepção profunda. Em um dia não se esquece um grande amor... Um dia não é nada.

Um dia não é nada, mas é tanto. Em um dia é possível se apaixonar, é possível perder o controle. Um dia é suficiente para destruir amizades antigas, para a paixão terminar, ou até para ela começar. Um dia é tanto para quem está com saudade, para quem está lutando pela vida, para quem está no corredor da morte. Um dia é suficiente para mudar de emprego, para trocar de namorado, para perder o ano letivo. Em um dia a vida acaba e novamente se inicia. Em um único dia é possível magoar as pessoas e cometer erros que nos perseguirão pelo resto de nossas vidas. Um dia é tanto...

domingo, 27 de março de 2011

Lista ilustrada das pequenas coisas que me fazem feliz #12

Fofocar ao telefone



Adoro chegar em casa depois de um longo dia no trabalho, ou acordar no fim de semana para saber as resenhas, as novidades. Sou completamente viciada em telefone. É uma excelente ferramenta de trabalho, é verdade, mas, para mim, a sua principal utilidade é bater papo, seja com a família que mora longe, com as amigas ou com os paquerinhas...

Mas nem sempre essa maravilhosa invenção traz notícias boas - como hoje, por exemplo - mas mesmo assim não dá pra viver sem ele... Portanto, seja com ou sem fio, fixo ou celular, um bom papo ao telefone é sempre bem vindo!!!

sábado, 26 de março de 2011

Livros - O inimigo de Deus (DL 2011)

Desafio Literário - mês de março - livro 2


Segundo volume da trilogia As crônicas de Artur, esse livro foi o meu escolhido para o reserva para o mês de março no Desafio Literário. Na verdade, a minha intenção é ler três livros esse mês para o desafio, pois já estou no terceiro volume, Excalibur (só me resta saber se vai dar tempo... espero que sim!)

O autor, que já havia me conquistado com sua narrativa seca e sua versão dos acontecimentos e personagens de uma história tão amplamente difundida, agora provou ser brilhante. O livro é incrível, empolga e contagia da primeira à última página! O principal defeito do primeiro volume, a meu ver, foram as páginas iniciais, onde a história e os personagens são apresentados, que achei que se deu de forma muito lenta. Já esse volume não traz esse problema. É emoção do início ao fim.

Cornwell continua retratando de forma bastante realista a vida à época dos acontecimentos narrados. As batalhas continuam a ser descritas de forma rica e árdua, sem poupar o leitor dos detalhes mais sangrentos. Os costumes da época são retratados de forma bastante realista e o romantismo que geralmente norteia as histórias de Artur é deixado totalmente de lado.

Destaque, no segundo volume, para a presença mais marcante e constante de Merlin no enredo, bem como para a forma como o autor retratou Lancelot, relevando aspectos da personalidade do personagem nunca antes tratados de forma tão clara.

Também gostei bastante de ler a história de Tristão e Isolda narrada por Derfel.

Excelente leitura, digna de louvor!!!!

Nota: 5

sexta-feira, 25 de março de 2011

Minha vida é andar por este Estado... #2

Semana cheia de viagens no trabalho. Foram 28 cidades visitadas em 3 dias. Naturalmente, foram dias de muito trabalho, mas deu para aproveitar também. Seguem algumas fotos do primeiro dia de "aventuras"...

São Tomé


Em algum lugar entre Rui Barbosa e Caiçara
do Rio do Vento


Cofre de banco transformado em 
arquivo de processos


O carro não subia de jeito nenhum... tivemos 
que fazer um desvio de 50 km para chegar
ao destino




quinta-feira, 24 de março de 2011

Coisas para fazer antes dos 30



Uma amiga me mandou um e-mail com essa lista de coisas para fazer antes dos 30 há alguns meses, mas eu nunca havia dado muita atenção a ele. Hoje, faltando 30 dias para o meu aniversário de 30 anos, resolvi dar uma olhada melhor e ver quais dessas “proezas” eu já realizei na vida...

Beber uma garrafa de tequila
De tequila jamais... basta virar 3 shots para eu ficar louca... mas será que serve de whisky? Pois eu já derrubei, sozinha, um litro de Chivas. Onde? Em Pipa, é claro...

Transar com um de seus melhores amigos
Aiaiai... tá bom, eu admito. Mas não digo com quem foi nem sob tortura... hehehe

Encontrar com alguém da net
No...

Fazer uma tatoo
Tenho muita vontade de fazer, mas vivo adiando... será que ainda dá tempo?? De Henna, já fiz várias vezes...

Subir em um palco e dançar loucamente
Nos bons tempos do Hooters... a pessoa paga cada mico na vida...

Fugir de casa
Algumas vezes, na minha fase mais rebelde na adolescência. Sempre acabava na casa do meu tio ou de uma amiga.

Pular de Bumg Jump
No... Essa eu vou ficar devendo... Só tirolesa e rapel, em Pirenópolis

Matar aula pra ir no buteco (o erro de português não é meu, tava assim no e-mail)
Eu passei o meu ano do pré praticamente inteiro nos butecos de Natal... como entrei na faculdade? Mistério...

Passear sem calcinha
Já. Sem muitos comentários...

Agarrar seu amor platônico
Ainda estou esperando a oportunidade... mas acho que não vai dar tempo...

Fingir ser estrangeiro e falar um idioma que não existe
Em Fortaleza, certa vez, passei a noite inteira falando inglês e fingindo ser canadense... atraí vários gatinhos!! Achei melhor falar inglês do que batroviskaia... (o quê, não sabe o que é isso? É o idioma criado pela família Marinho... Todo Marinho que se preze – pelo menos os da minha família – tem que saber falar batroviskaia)

Ficar com alguém 10 anos mais velho do que vc
Já, eu tinha 17 e ele 32. Será que isso dá cadeia?

Sair de casa na sexta à noite e voltar na segunda de manhã
Várias vezes... muitos fins de semana prolongados ao longo dos anos...

Dormir com a roupa que saiu depois de um porre
Nossa, várias vezes... A última foi na época do carnatal do ano passado, em Pipa (sempre em Pipa). Deixei Duda (uma amiga) passando mal e arriei na cama, não tive coragem nem de tirar a máquina fotográfica do bolso. E acordei na mesma posição em que fui dormir...

Ir a uma praia de nudismo
Essa eu nem fiz e nem vou fazer... Definitivamente vou ficar devendo!!

Ficar com o seu professor
Aquele 15 anos mais velho, que citei acima. Mas não foi só uma ficada não, foi mais de um ano de “namoro” (óbvio que meus pais nem sonharam, eu tinha 17 anos quando começou...) Mas teve outro também. Foram dois no total.

Roubar o namorado de alguém
Muito feio, mas já fiz sim... E também já tive o meu roubado.

Ir para a escola bêbada
Naquele mesmo ano do pré...

Se apaixonar à 1ª vista
Sim...

Usar a melhor roupa para ir ao mercado
Nunca fui de vestido longo para o supermercado, mas já fui muito arrumada, principalmente antes de alguma farrinha na casa de amigos, pra comprar algo de última hora

Sair com o melhor amigo do seu ex
Sim, mas sem nomes, ok?

Pintar o cabelo de uma cor absurda
Tirando alguns tons de louro horrorosos, não... nunca pintei meu cabelo de verde, rosa, roxo ou coisa parecida...


Chorar vendo um desenho
Já... eu sou sensível... chorava assistindo Cavalo de fogo, sempre que Sarah tinha que voltar para o seu mundo e deixar seu cavalo (sou apaixonada por cavalos)

Ir parar na delegacia
Só pra soltar o povo ou em visitas da Corregedoria... acho que não conta... ou será que conta?

Beber até ter amnésia alcóolica
Algumas vezes... Destaco meu primeiro grande porre, em uma festa de aniversário da minha irmã, que eu fiquei falando inglês e repetindo sem parar “Os índios estão chegando!!!” (totalmente sem noção)

Aprender a tocar algum instrumento
Não... minha total falta de coordenação motora jamais me permitiu, apesar de ter muita vontade...

Ter um diário secreto
Sim... qual adolescente nunca teve?

Beijar um passante
Totalmente desconhecido, sem saber nem o nome, só uma vez, no Recifolia, pra me vingar de um ex que tinha ido sem me avisar... fui bater lá só para flagrá-lo e, ainda por cima, “peguei” o primeiro que passou na minha frente (pelo menos eu dei uma olhadinha pra ver se era bonitinho – e era!!!)

Ir a uma festa chique de short e chinelo
Não, meu eu Patty não me permite fazer essas coisas...

Assaltar uma loja
Afff, claro que não!!! Já fui assaltada na loja da minha mãe uma vez, mas assaltar, jamais!!! O máximo que eu fiz foi roubar chocolate das Americanas – hehehe

Pegar carona com um desconhecido
No, sou medrosa demais para isso...

Ir pra balada de ônibus
Again, meu lado Patty não deixa...

Dormir na rua
Essa eu também vou ficar devendo...

Bem, dos 33 itens eu fiz 18 da forma como estão na lista, 3 mais ou menos e fiquei devendo 12... Será que meu resultado final foi satisfatório??

quarta-feira, 23 de março de 2011

Era uma vez uma advogada...


Eu sempre quis fazer Direito. Desde antes de entrar na faculdade, ficava deslumbrada e encantada com o mundo jurídico, com o mundo acadêmico e suas intermináveis discussões, com os estudantes entusiasmados e sonhadores que queriam mudar o mundo e as barbaridades sociais e jurídicas existentes nos dias atuais.

Quando comecei o curso, como era de se esperar, fui tomada por esse mesmo ideal. Vi-me, diversas vezes, indignada com as injustiças praticadas contra os mais fracos e, principalmente, com o total descaso com as leis, com os direitos humanos, sociais e individuais. Vi-me indignada com a corrupção e com a impunidade, com os "embargos de gaveta", com a conformidade diante do desrespeito às leis e à Constituição Federal.

Tive a oportunidade de estudar em Brasília, terra das grandes decisões judiciais e dos Tribunais Superiores. Fiz estágio por dois anos no STJ, por um ano e meio na AGU, tive aulas na graduação com Ministros desses Tribunais. Apaixonei-me pelo Direito Penal, mas acabei casando com o Civil. Vivi todas as experiências gratificantes que um estudante desse curso pode vivenciar ao longo de sua formação.

Mas nada do que eu vivi conseguiu mudar a minha revolta, a minha indignação. Foi por isso que acabei optando, ainda durante a faculdade, pela advocacia. Foi por isso que, sempre que algum professor perguntava em sala de aula o que queríamos fazer após o término do curso, enquanto oitenta ou noventa por cento da sala levantava a mão para a opção concurso público, eu levantava a minha para a opção advocacia.

Na minha ingenuidade eu achava que, como advogada, eu poderia defender os direitos violados, poderia fazer a diferença para os injustiçados. Eu sonhava em fazer valer, com as minhas próprias mãos, as garantias asseguradas pela nossa legislação. Eu queria ver a satisfação no rosto dos clientes quando eu os informasse que os seus direitos haviam sido reconhecidos pelo Judiciário e as injustiças contra eles reparadas.

E assim eu fiz... Terminei o curso, voltei para Natal, passei no exame da OAB e encarei a advocacia. De frente. E sozinha. Pois eu não queria fazer parte da equipe de um grande escritório, me matar de trabalhar para fazer o nome de outras pessoas e, o pior de tudo, sem qualquer reconhecimento. Eu queria fazer o meu próprio nome, construir a minha carreira. Tinha plena consciência de que dessa forma seria mais difícil, mas, para mim, quanto maior o desafio, melhor...

As coisas começaram a acontecer, os clientes começaram a aparecer e eu comecei a achar que, de fato, estava fazendo a diferença. Os ideais e a sede por justiça afloraram novamente. Vi-me em êxtase diante de cada liminar concedida, de cada sentença procedente, de cada recurso provido. O trabalho era árduo, mas a recompensa era deliciosamente gratificante.

É claro que eu sabia que a advocacia também tem as suas desvantagens... Prazos a cumprir, sob pena de, muitas vezes, perecer o direito do cliente; noites sem dormir peticionando; clientes que ligam a qualquer hora do dia ou da noite e acham que o advogado tem que estar sempre à disposição dele; não poder adoecer, tirar férias ou viajar; ter que aguentar todo tipo de desculpas dos clientes na hora de receber os honorários a que faz jus... E essas foram apenas algumas das dificuldades que encontrei.

Mais a maior de todas, sem dúvida, a mais desestimulante, vem do próprio Poder Judiciário, na forma como a classe é tratada. Pela lei, não deve haver hierarquia entre juiz, advogado e promotor, mas a prática, muitas vezes, se apresenta de forma bastante diversa. Perdi a conta de quantas vezes tive que esperar horas na porta de um juiz para conseguir falar com ele, muitas vezes sobre a necessidade de diligência em uma medida urgente. Perdi a conta de quantas vezes fui desrespeitada por serventuários mal humorados, que achavam que estavam me fazendo um favor, quando, na verdade, estavam apenas fazendo o trabalho deles. Perdi as contas de quantas vezes tive que praticamente implorar por um simples despacho, mesmo o meu processo já estando empilhado no gabinete do juiz por meses... Que a justiça é cega eu já sabia, mas não sabia que ela também é surda!

E assim persisti por quatro anos. Até chegar ao ponto em que as dificuldades superaram o prazer em exercer a profissão. Até chegar ao ponto em que o desafio, que antes era estimulante, passou a ser frustrante. E assim acabei, no final do ano passado, desistindo da advocacia. Se um dia eu vou voltar, não tenho como dizer, mas, por hora, para mim, não dá mais... Amadureci a idéia durante algum tempo, avaliei as minhas possibilidades, escolhi uma nova carreira para tentar seguir (pois eu me recuso a ser um desses concurseiros que "atiram para todos os lados"); elaborei um plano B - just in case - e continuei a batalha. Uma nova batalha, é verdade, mas a guerra permanece a mesma. Pois os ideais do Direito e a sede por justiça ainda existem dentro de mim. A vontade de fazer valer as garantias, de ser a portadora de boas notícias para os injustiçados e, principalmente, de fazer a diferença, persiste.

Quem sabe, agora, eu finalmente consiga...