terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Projeto 52 semanas de bibliofilia - semana 5


Minha mesa de cabeceira (ou criado mudo, dependendo da região do país em que você está). Em cima: as leituras da semana; o caderno que uso para fazer anotações de trechos interessantes dos livros que leio; o temido despertador, que me tira do mundo dos sonhos diariamente; minhas sobrinhas, para eu começar bem meus dias e um pequeno abajur. Em baixo: os livros de Sophie Kinsella, autora que eu simplesmente amo, com ênfase para a coleção Becky Bloom - literalmente meus livros de cabeceira.

Até semana que vem!

Projeto 52 x 5 momentos para compartilhar - semana 5


Semana 5: Fazem parte da minha wishlist:

1. Uma cama queen com baú;
2. A coleção de Arquivo X em DVD;
3. Uma câmera profissional;
4. Um relógio preto Michael Kors; e
5. Muitas outras coisas...

Desafio Literário 2012 - janeiro - livro 5

O clube dos anjos
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva
Ano: 1998
Páginas: 130
ISBN: 8573022248





"Todos nós matamos em pensamento mas só o autor, esse monstro, põe seus crimes no papel, e os publica." (pág. 10)

Um grupo de amigos reunidos ao redor de uma mesa para desfrutar uma deliciosa refeição uma vez por mês. Até aí tudo bem, se um deles não fosse acabar morto ao final do jantar...

Não se trata de uma história de detetive, pois já se sabe quem é o responsável pelas mortes dos membros do Clube do Picadinho. Não se trata de uma história com criaturas sobrenaturais, que misteriosamente descem à terra e sugam a alma dos membros do clube do picadinho. Trata-se, na verdade, de uma crítica à imbecilidade do homem quando o assunto é o pecado da gula. Trata-se, na verdade, da história de uma paixão - o comer - levada ao seu grau máximo.

Só que contada de uma forma brilhante e divertida, com toda a genialidade que é peculiar a Luis Fernando Veríssimo. Com bastante humor - negro, é verdade -, cheio de ironia e divertidíssimo! Se tenho uma crítica a fazer é ao narrador Daniel, que em alguns momentos é um tanto quanto chato, enfadonho. No mais, um livro para ser devorado de uma única vez. Você daria a sua vida pela refeição perfeita?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Livros - O corretor

O corretor
Autor: John Grisham
Editora: Rocco
Ano: 2005
Páginas: 360
ISBN: 8532519571
Tradução: A. B. Pinheiro de Lemos



"Segundo a reportagem da revista, os rendimentos do corretor na ocasião eram superiores a dez milhões de dólares por ano, embora ele se esquivasse às indagações do repórter nesse ponto. Sua firma de advocacia tinha duzentos advogados, pequena pelos padrões de Washington, mas, sem dúvida, a mais poderosa nos círculos políticos. Era uma máquina de lobby, não um escritório em que advogados autênticos praticavam seu ofício. Mais como um bordel para empresas ricas e governos de outros países.
Ah, como os poderosos caem, refletiu o sr. Sizemore, enquanto observava a garrafa tremer." (pág. 22/23)

Mais um livro empolgante de John Grisham. É incrível como eu gosto do estilo do autor, como ele consegue me prender com suas obras, do início ao fim. É verdade que essa não é o melhor livro dele, mas está longe de ser dos piores. Aliás, ainda não li um livro dele que eu não tivesse realmente gostado. É verdade que gosto mais de alguns do que de outros, mas dou sempre quatro ou cinco estrelas ao autor.

O corretor narra a trajetória de Joel Backman, um poderoso lobista que acaba se dando mal em um dos seus negócios. Achando que sua vida está em risco, ele acaba se declarando culpado diante do grande júri e é condenado a 20 anos de prisão, sem direito a livramento condicional. Joel passa seis anos atrás das grandes e, um belo dia, é surpreendido com a notícia de que recebeu indulto do Presidente dos Estados Unidos e é um homem livre. Mas será que ele está livre mesmo?

Joel é levado para a Itália, por um grupo desconhecido, que está protegendo-o. Ele acredita que se trata da CIA, mas não tem como provar. Lá, ele recebe roupas, uma nova identidade e passa a ter aulas de italiano. Mas Joel não pode desfrutar de sua recém adquirida liberdade, pois é constantemente vigiado, além de não ter dinheiro nem um passaporte para poder viajar. Aos poucos, sua antiga personalidade vai voltando, e logo o corretor - como era conhecido em seus dias de glória - começa a arquitetar um plano para se ver realmente livre. 

Só que ele não é o único a ter um plano. Seus supostos protetores também tem um plano, que é o de entregá-lo às pessoas que se sentiram prejudicadas quando o seu último negócio deu certo. E são muitas pessoas... vários países querem a cabeça do corretor. Será que ele vai conseguir escapar?

"E joel se perguntou, pela centésima vez: Por que exatamente se encontrava ali? Por que fora retirado da prisão? Um indulto presidencial é uma coisa... mas por que uma fuga internacional? Por que não lhe entregar os documentos necessários, deixá-lo sair da velha Rudley e levar sua vida da maneira que pudesse, como acontecia com todos os outros criminosos que eram perdoados?
Ele tinha um pressentimento. Podia arriscar um palpite, que seria bastante acurado.
e que o apavorava." (pág. 62)

Quase todas as resenhas que li sobre o livro no Skoob faziam críticas aos detalhes da obra, às inúmeras aulas de italiano. Essa foi uma das coisas que mais me agradou no livro. Com Joel e Francesca, o leitor pode passear pelas ruas de Bolonha, conhecer um pouco da história e dos encantos da cidade. Além do mais, o italiano é uma língua belíssima, muito sonora e fácil de entender, principalmente escrita. Não me incomodou nem um pouco os trechos no idioma. 

Achei que com esses detalhes e com essas descrições, Grisham tentou inovar um pouco seu estilo de escrita, mas sem deixar de lado a narrativa densa e eletrizante que fazem dele um excelente autor. Gostei bastante do resultado e recomendo a leitura. É verdade que o final não é dos mais inusitados, mas foi exatamente o que eu queria que acontecesse...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Projeto 52 semanas de bibliofilia - semana 4


Ganhei esse livro do cunha de presente de natal. Estava louca para ler a continuação da série Instrumentos mortais, mas ele me deu em um dia e no outro levou para São Paulo para ler. E eu... bem, eu fiquei só na vontade!! Mas hoje recebi o livro de volta, que foi trazido por uma pessoa que estava lá em Sampa. Finalmente vou poder desfrutar do meu presente, mas ainda tenho três livros para ler antes dele...

Cinema - O amor não tem fim

Late Bloomers: O amor não tem fim (Trois foi 20 ans)
Ano: 2011
Gênero: Drama
Direção: Julie Gavras
Roteiro: Olivia Dazat e Julie Gavras
Elenco: William Hurt, Isabella Rossellini, Doreen Mantle, Kate Ashfield, Aidan McArdie, Arta Dobroshi, Luke Treadway, Leslie Philips, Hugo Speer, Joanna Lumley, Simon Callow, Iona Warne, Ryan Quartley, Nicholas Farrell, Sushil Chadasama, Joanna Bobin.


Um filme sobre o envelhecer, situação pela qual todos, mais cedo ou mais tarde, iremos passar um dia. O que eu gostei do filme foi que ele tratou do tema com bastante sutileza mas, ao mesmo tempo, isso me incomodou um pouco, pois as questões não foram tratadas a fundo, apenas de forma superficial. Mas talvez essa tenha sido exatamente a intenção da diretora. Não fazer um filme pesado, denso, mas sim um filme leve, que trata do tema central com uma abordagem menos densa.

O filme é protagonizado pelo casal Adam e Mary. Ela, após seu marido receber um prêmio como arquiteto e após um pequeno incidente de perda de memória, começa a se dar conta de que ambos estão envelhecendo. A partir daí, surgem vários questionamentos, algumas tentativas de, senão parar, ao menos amenizar a passagem do tempo, uma separação do casal, traição, a tentativa dos filhos de reunir os pais, a confirmação da virilidade do homem, a confirmação de que ainda é capaz de seduzir da mulher... várias situações são mostradas no filme, todas na tentativa do casal, cada um à sua maneira, de aprender a lidar com a nova fase da vida que se inicia.

Eu acredito que envelhecer seja uma tarefa mais fácil para o homem do que para a mulher. Enquanto os cabelos grisalhos de um homem muitas vezes o deixa mais charmoso, os de uma mulher dão a ela um ar de decadência. Assim como a sua personagem, Isabella Rossellini, um ícone de beleza, também envelheceu. Fazia muito tempo que eu não via um trabalho da atriz e minha primeira reação quando eu a vi foi: "nossa, como ela está acabada!" Mas depois parei para olhar melhor e ainda encontrei traços de sua beleza. Uma beleza mais madura, é verdade mas, ainda assim, beleza.

Mas, voltando ao filme, não achei nada excepcional, mas mesmo assim, gostei. Um bom filme.

    domingo, 22 de janeiro de 2012

    Filmes

    Vi dois excelentes filmes este final de semana. São eles:

    50% (50-50 - 2011)

    Adam é um cara normal, todo certinho. Sua vida vira de pernas pro ar quando ele descobre que tem um tipo raro de câncer. Ele tem apenas 27 anos de idade. Começa, então, a luta contra a doença, ao lado dos pais, da namorada, do melhor amigo e da sua psicóloga.

    O filme não chega a ser uma comédia, mas garante momentos de grande descontração. Mas também não é um drama sobre a luta contra o câncer, visto que foca muito mais nos relacionamentos pessoais do protagonista do que na doença propriamente dita. 

    As conversas de Adam e seu melhor amigo são um dos pontos fortes do filme, seguido pelas sessões de terapia com a inexperiente psicóloga. Adorei a cena onde eles falam sobre vários atores que já tiveram câncer, e o amigo cita Patrick Swayze, como se ele estivesse bem. A cara de Adam é ótima!

    Um roteiro leve, descontraído e um ótimo elenco são garantias de diversão na certa. Mais do que recomendado.


    72 horas (The next three days - 2010)

    Um thriller eletrizante, repleto de suspense e adrenalina do início ao fim. Assim é 72 horas, filme estrelado por Russell Crowe e Elizabeth Banks, que conta ainda com um elenco espetacular. 

    John e Lara são um casal comum, que vê sua vida mudar completamente quando Lara é acusada do assassinato de sua chefe. Condenada, ela está prestes a ser transferida para uma prisão. Mas John não pretende permitir que isso aconteça e elaborar um plano, com a ajuda de um ex detento e da internet, para tirar sua mulher de trás das grades. Só que o anúncio da transferência para a penitenciária vem antes do que ele imagina, e John tem apenas 3 dias para colocar o seu plano em prática.

    É impossível não prender o fôlego em alguns momentos do filme. É impossível não torcer para que o casal consiga a chance de reconstruir sua vida. Cada vez que eles quase eram pegos, meu coração disparava e eu procurava uma unha para roer... hehehe O filme prende mesmo a atenção. E a saída que John encontra no final, brilhantemente simples, é perfeita.

    Um suspense muito, mas muito bom!!!

    Desafio Literário 2012 - janeiro - livro 4

    Mil dias na Toscana
    Autora: Marlena de Blasi
    Editora: Sextante
    Ano: 2010
    Páginas: 256
    ISBN: 9788575426197
    Tradução: Marcello Lino




    "Sei que este início é diferente. Desta vez, soltamos nossas amarras. Não temos casa nem emprego, apenas uma vaga idéia de como vamos dar forma a essa nova era. Muitos aspectos dessa nova vida sugerem uma reafirmação de nossos votos: 'Na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza.' Fernando continua inebriado pelo entusiasmo e pelas expectativas descontroladas. Ele é uma criança que fugiu de casa, um homem que fugiu da desilusão, dos torpores provocados por uma vida sem questionamentos e de sofrimentos antigos e ainda tortuosos." (pág. 25)

    "Às vezes, acho que a Senhora das Batatas deve ter sido um sonho ou um espectro envolto em vermelho que apareceu para me revelar o grande segredo de que aproveitar o momento com o que temos é o melhor para nossas vidas. Mas ela era real, Florì. E, ao pensar nela agora, vejo que aquela mulher provavelmente tinha seus sofrimentos. Mas se mantinha afastada da tristeza, conseguia tirar beleza daquela tarde com a mesma habilidade com que tirava a garrafa do bolso. Esse foi o presente que ela me deu: fez com que a felicidade parecesse uma escolha.
    - Você acha que isso é verdade? A felicidade é uma escolha?
    - Na maioria das vezes, acho que sim. Pelo menos, com muito mais frequência do que a maioria de nós percebe ou acredita nisso." (pág. 65)

    Eu poderia escrever muitos outros trechos interessantes sobre o livro, mas este post perderia o seu propósito e ficaria enorme. Mas, de cara, já vou logo dizendo, esse livro é muito melhor do que o primeiro, Mil dias em Veneza. Pelo seguinte: no primeiro livro, houve a descoberta do amor entre os dois, a mudança de Marlena para Veneza, sua nova vida ao lado de Fernando, a reforma do apartamento. Nesse livro, com seu amor já mais amadurecido, o casal parte para uma nova vida, completamente diferente da que levavam em Veneza. Conhecem novas pessoas, fazem amigos, constroem coisas novas em sua casa. Enfim, partem para "aventuras" como colher uvas e castanhas. Enfim, esse livro tem mais ritmo, tem mais história do que o primeiro.

    Mas, mesmo assim, o livro ainda é um pouco entediante em alguns momentos. A autora se perde um pouco em descrições e detalhes irrelevantes. Sua narrativa ainda deixa um pouco a desejar, mesmo tendo evoluído muito com relação ao primeiro livro, a meu ver.

    E, mais uma vez, não sei se teria coragem de fazer o que ela fez. Ir viver em um pequeno povoado, longe da "civilização". É claro que o lugar deve ser lindo, e que ela e o marido trataram de ocupar bem seus dias, com projetos e coisas a fazer. Mas, mesmo assim, acho que me bateria um tédio monstruoso...

    O que eu mais destaco no livro é a presença, ainda mais constante do que no primeiro, da comida. Parece que todo o povoado gira em torno de comida. Qualquer coisa é motivo para as pessoas se reunirem e comer... Fico me perguntando quantos quilos ela engordou ao longo desses mil dias... hehehe Isso, aliás, faz com que o livro se encaixe ainda melhor do que o seu predecessor no tema do mês do Desafio Literário.

    Um boa leitura, que não deve ser feita se a pessoa estiver com fome...

    Nota: 3

    "Talvez a única coisa que importe é fazer com que a nossa vida dure tanto quanto nós. Sabe, fazer a vida durar até acabar, fazer com que todas as partes terminem juntas, como quando passamos o último pedaço de pão na última gota de azeite no prato e tomamos o último gole de vinho que está no copo." (pág. 72)

    sábado, 21 de janeiro de 2012

    Projeto 52 x 5 momentos para compartilhar - semanas 1 a 4


    Conforme prometido, eis que dou início ao projeto, com as quatro primeiras semanas. Vamos aos temas:

    Semana 1 - Coisas que me fazem feliz
    1. Estar perto da minha família;
    2. Meus amigos;
    3. Ler;
    4. Olhar o mar;
    5. Dar e receber presentes.

    Semana 2 - Eu nunca...
    1. Dirigi um carro conversível;
    2. Fiz uma tatuagem definitiva;
    3. Li um livro completo em inglês (por pura preguiça);
    4. Saltei de asa delta;
    5. Engravidei (e nem sei se quero...).

    Semana 3 - Coisas para se fazer no calor
    1. Beber muita coca zero estupidamente gelada;
    2. Dormir com o ar condicionado logado na temperatura mínima;
    3. Fugir do sol;
    4. Comer caranguejo e tomar ceerveja na beira da praia (protegida por uma sombrinha enorme - naturalmente);
    5. Usar bastante protetor solar.

    Deu pra notar que eu e o sol não temos uma relação das mais amistosas...

    Semana 4 - Minhas citações preferidas são:
    1. "Pois maior que tudo é o amor. E o tempo nem de longe consegue apagá-lo com a mesma rapidez com que apaga as lembranças." (Jostein Gaarder - O dia do curinga);
    2. "All you have is to decide what to do with the time that is given to you." (Tolkien - O senhor dos anéis);
    3. "Pois quando a gente entende que não entende alguma coisa é que está prestes a entender tudo." (Jostein Gaarder - O dia do curinga);
    4. "It's just a moment, this time will pass..." (U2 - Stuck in a moment);
    5. "And in the end, the love you take is equal to the love you make." (Paul McCartney);
    Não resisti e acrescentei uma sexta frase...
    6. "I love you so much that hurts." (Do filme Íntimo e pessoal).

    Bem, por hoje é só. A partir do dia 30 de janeiro tem mais... Já inclui a lista da semana que se inicia amanhã, para não precisar fazer outro post.

    Projeto 52 semanas de bibliofilia - semanas 1, 2 e 3

    Ok, vamos lá começar o projeto (atrasada, mas o que vale é começar). As fotos foram feitas todas ao mesmo tempo, mas procurei fazê-las de acordo com o que aconteceu na minha vida literária ao longo de cada uma das três semanas que se passaram...

    Semana 1


    Caderno utilizado para fazer anotações de trechos interessantes ao longo das leituras. Prática que comecei a adotar agora em 2012 e que vem se mostrando bastante eficiente, pois não risco mais meus livros e tenho como fazer anotações daqueles que peguei emprestados. Além do mais, fica tudo no mesmo lugar, evitando os temidos pedaços de papel que sempre perco...


    Semana 2


    Livros comprados especialmente para o mês de janeiro do Desafio Literário, cujo tema é Literatura gastronômica. Já li Julie & Julia e Mil dias em Veneza. Pretendo terminar a leitura de Mil dias na Toscana ainda hoje.


    Semana 3


    O nome desse programa é Minibiblio, onde mantenho minha lista de todos os livros, DVDs e CDs que tenho. Essa é a página dos livros, que atualmente conta com 256 títulos. Assim que chego da livraria ou que chega algo pelos correios, corro direto pra cá!!! Para quem quiser a dica, é gratuito e fácil de baixar e de manusear.

    sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

    Projeto 52 semanas de bibliofilia


    Mais um projeto ao qual me junto hoje, também do blog Devaneios e metamorfoses. A regra é bem simples: postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano. Podem ser imagens de qualquer tipo, desde que sejam fotos da sua autoria.

    Já coloquei a máquina fotográfica para carregar (é claro que estava sem bateria - não é sempre assim quando a gente precisa?) e as fotos das 3 primeiras semanas também saem esse final de semana.

    Tenho que dizer que amei de verdade a ideia... livros e fotografias, duas grandes paixões, juntas?? Tem tudo para dar certo!!!

    Projeto 52 x 5 momentos para compartilhar


    Estava eu passeando pelo blog da Happy Batatinha quando vi um projeto que achei super interessante. 52 x 5 momentos para compartilhar. Segundo ela, o projeto foi idealizado pela Pri do blog Devaneios e metamorfoses. É claro que eu resolvi aderir... O projeto é bem simples: fazer um top 5 semanal dentro do tema proposto. Eis os temas:

    Semana 1: Coisas que me fazem feliz;
    Semana 2: Eu nunca...
    Semana 3: Coisas para se fazer no calor;
    Semana 4: Minhas citações preferidas são: (trechos de livros, de músicas, frases de autores, etc)
    Semana 5: Fazem parte da minha wishlist:
    Semana 6: Os super poderes que eu gostaria de ter se fosse um super heroi seriam:
    Semana 7: Eu sempre...
    Semana 8: Os melhores filmes infantis que já assisti foram:
    Semana 9: Pessoas que eu gostaria de conhecer/ter conhecido:
    Semana 10: Minhas comidas preferidas são:
    Semana 11: Meus brinquedos preferidos na infância eram:
    Semana 12: Coisas para fazer no frio:
    Semana 13: Fico sem graça quando...
    Semana 14: Meus sites preferidos na internet:
    Semana 15: O que há de pior no mundo virtual?
    Semana 16: Isso, para mim, não é diversão:
    Semana 17: Personagens cuja vida eu gostaria de viver por um dia: (filmes, livros, seriados etc)
    Semana 18: Sinto saudades...
    Semana 19: Meus seriados preferidos:
    Semana 20: Fico de mau humor quando...
    Semana 21: Meus piores defeitos:
    Semana 22: Na minha geladeira, tem que ter:
    Semana 23: Coisas que me incomodam no mundo contemporâneo:
    Semana 24: Casais preferidos (filmes, seriados, livros, etc)
    Semana 25: Tenho aflição de...
    Semana 26: Se eu pudesse trocar de profissão, eu seria...
    Semana 27: Coisas legais para se fazer nas férias:
    Semana 28: Minhas maiores "neuras" e manias são:
    Semana 29: Filmes que falam ao coração:
    Semana 30: Fico impaciente com pessoas que...
    Semana 31: quando não tenho o que fazer, gosto de...
    Semana 32: Ainda quero aprender:
    Semana 33: Tenho medo de...
    Semana 34: Livros que eu acho que todo mundo deveria ler:
    Semana 35: Minhas piores compras foram:
    Semana 36: Morro de preguiça de...
    Semana 37: O que, de melhor, o mundo virtual te trouxe/traz?
    Semana 38: Desculpe, mas eu acho brega:
    Semana 39: Minhas melhores qualidades:
    Semana 40: Meus "cheiros" preferidos são:
    Semana 41: As coisa mais difíceis num relacionamento amoroso são:
    Semana 42: Quer acertar no meu presente? Então me dê...
    Semana 43: Músicas que eu não canso de ouvir:
    Semana 44: Meus vilões preferidos são:
    Semana 45: Lembra a minha adolescência:
    Semana 46: Parece que todo mundo sabe _________, menos eu:
    Semana 47: Quando estou apaixonada, eu...
    Semana 48: Nunca tive coragem de...
    Semana 49: Lugares no mundo que eu gostaria de conhecer:
    Semana 50: Pessoas que eu admiro:
    Semana 51: Coisas que me marcaram nesta ano que está acabando:
    Semana 52: No ano que vem eu quero:

    Sei que já começo atrasada no projeto, mas vou preparar minhas respostas para as três primeiras semanas e posto ainda esse final de semana... Aguardem!!!

    quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

    Livros - Anna e o beijo francês

    Anna e o beijo francês
    Autora: Stephanie Perkins
    Editora: Novo Conceito
    Ano: 2011
    Páginas: 288
    ISBN: 9788563219329
    Tradução: Fabiana Paganini de Andrade




    "Passei o resto do almoço em um banco. Sinto falta de casa e isso dói fisicamente. Meu coração bate acelerado, meu estômago está nauseado e meu é tudo tão injusto. Nunca pedi para ser mandada para cá. Tinha os meus próprios amigos, as minhas próprias piadas particulares e os meus próprios beijos roubados. Queria que meus pais tivessem me dado alguma escolha: - Você gostaria de passar o seu último ano em Atlanta ou em Paris?
    Quem sabe? Talvez eu tivesse escolhido Paris.
    O que os meus pais nunca levaram em consideração é que eu queria, ao menos, ter tido escolha." (pág. 33)

    "Sinto falta de Paris, mas lá não é a minha casa. É mais algo do tipo sentir falta... disso. Desse calor pelo telefone. É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar? Bridge costumava ser meu lar. Talvez St. Clair seja o meu novo lar. 
    Eu reflito sobre isso à medida que nossas vozes vão se cansando e nós paramos de conversar. Nós só ficamos na companhia um do outro. Minha respiração. Sua respiração. Minha respiração. Sua respiração.
    Eu não poderia nunca dizer a ele, mas é verdade.
    Isso é estar em casa. Nós dois." (pág. 195)

    Anna e o beijo francês é um festival de clichês. É uma história totalmente batida, que já foi contada diversas vezes, de diversas formas. Não traz nada de inovador em seu enredo. Segue à risca o script de centenas de filmes e livros de comédias românticas. Mas, mesmo assim, é muito bom de se ler.

    A história, como eu disse, você já conhece: pai de menina a manda para um internato americano em Paris. Menina não quer ir no início. Menina faz amizade com um grupo de alunos, que inclui o garoto mais bonito e legal da escola. Menina e menino se tornam melhores amigos. Menina, um belo dia, quando está longe do menino, se dá conta que está completamente apaixonada por ele, mas menino tem uma namorada. Menina volta para Paris e reencontra menino e eles brigam para, no final e após muito drama, fazerem as pazes e viver felizes para sempre.

    Uma série de fatores tornam a leitura gostosa e o livro bastante envolvente: a principal delas é o pano de fundo, a cidade onde a história se passa, Paris... Também devem ser considerados o carisma dos personagens, especialmente do menino (St. Clair); a paixão de Anna pelo cinema, que é essencial para a trama; a narrativa da autora, leve e descontraída; a amizade, que é bastante enaltecida na obra e algumas passagens interessantes, como essa que cito abaixo, sobre o trabalho do tradutor:

    "O tradutor, não importa quão fiel ele acredite que esteja sendo ao texto, ainda traz suas experiências pessoais e opiniões para as decisões que toma. Talvez não o faça conscientemente, mas, a todo momento que uma escolha tem que ser feita entre um significado de uma palavra ou outro, o tradutor determina qual usar, baseado no que ele acredita estar correto, baseado na sua história pessoal como sujeito." (pág. 258)

    Adorei o livro e recomendo a todos que querem uma leitura leve, para descontrair.

    domingo, 15 de janeiro de 2012

    Desafio Literário 2012 - janeiro - livro 3

    Mil dias em Veneza
    Autora: Marlena de Blasi
    Editora: Sextante
    Ano: 2010
    Páginas: 240
    ISBN: 9788575425602
    Tradução: Fernanda Abreu


    "A vida é conto, contabilidade - diz o bancário que vive dentro dele. - É uma quantidade desconhecida de dias preciosos que uma pessoa só tem permissão de sacar um por vez. Não são permitidos depósitos." (pág. 29)

    "Viver a dois nunca significa que cada um fica com a metade. É preciso se revezar para dar mais do que receber. Não se trata de aceitar quando o outro quer jantar em casa em vez de sair, ou decidir quem vai receber a massagem com óleo de calêndula certa noite. Há épocas na vida de um casal que funcionam, acho, de forma um pouco parecida com uma ronda noturna. Um dos dois fica de guarda, muitas vezes durante um longo tempo, proporcionando a serenidade necessária para o outro fazer alguma coisa. Em geral, essa coisa é árdua e cheia de dificuldades. Um dos dois entra na escuridão, enquanto o outro fica de fora, segurando a lua no céu." (pág. 128)

    Uma mulher que larga tudo, vende a casa, sua parte da sociedade em seu negócio e carrega consigo apenas as coisas indispensáveis para viver um grande amor e se casar com um homem praticamente estranho em Veneza... Louca? Romântica? Ou um pouco dos dois?

    Para mim, ela é mais louca do que romântica. Eu, sinceramente, não conseguiria. Outro país, outra língua, outra cultura, sem emprego e tudo isso por alguém que se acabou de conhecer? Não me imagino... Mas Marlena foi. E conseguiu sobreviver. Acima de tudo, conseguiu viver o seu grande amor... Protagonizou uma festa de casamento inesquecível pelas ruas de Veneza, conheceu e aprendeu a amar sua nova cidade, fez alguns amigos, reformou todo o apartamento em que morava...

    (Spoiler) E para quê? Para no final ir embora... deixar tudo para trás e recomeçar novamente, dessa vez na Toscana. Definitivamente não dá para mim! Gosto das minhas raízes, das minhas coisas. Gosto de ter uma casa com a minha cara... Por isso que admiro bastante a autora, pela sua coragem e seu desapego.

    O livro, para mim, foi apenas bom. Eu gostei da leitura, dá para tirar várias "lições" das experiências narradas pela autora/protagonista, mas a narrativa dela muitas vezes se torna cansativa e um tanto enfadonha. É uma história, acima de tudo, sobre autoconhecimento. Mas eu jamais viveria com um sujeito como Fernando, ou o estranho, como ela o chama, com suas mudanças de humor e sua postura passiva diante da vida. E quando ele resolve mudar, muda de vez, literalmente. Larga tudo para o alto. Para mim não dá mesmo!!! 

    Tá, mas talvez você esteja se perguntando onde está a literatura gastronômica, já que tudo o que eu falei até agora foi sobre uma história de amor. É que Marlena é uma chef e o relacionamento dela e de Fernando é regado à base de muita comida. Não apenas isso, mas a arte de cozinhar faz parte da vida da autora. Ao longo da história, vemos muitos pratos sendo preparados, alguns para impressioná-lo, outros para preencher o tempo ocioso, outros para celebrar a alegria e o amor. Sabores e odores fazem parte de quem a autora é. Inclusive, ao final do livro, há uma espécie de anexo com algumas  das receitas que ela preparou para o seu amado ao longo da história, assim como um guia romântico de Veneza. 

    A leitura é boa, a história é interessante, mas simplesmente não me cativou... Talvez por não ser meu estilo favorito. Mas, mesmo assim, vou ler ainda esse mês, também para o DL, a continuação, Mil dias na Toscana. Em breve.

    Nota: 3

    Cinema - Imortais

    Imortais (Immortals)
    Ano: 2011
    Gênero: Aventura
    Direção: Tarsem Singh
    Roteiro: Charley Palapanides e Vlas Parlapanides
    Elenco: Henry Cavill, Freida Pinto, Mickey Rourke, Luke Evans, John Hurt, Kellan Lutz, Stephen Dorff, Isabel Lucas, Corey Sevier, Robert Maillet, Stephen McHattie, Joseph Morgan, Steve Byers, Romano Orzari, Matthew G. Taylor, Alan Van Sprang, Peter Stebbings.


    Minha primeira ida ao cinema em 2012 foi um tanto decepcionante. Não gostei muito da história nem da forma como os deuses gregos foram apresentados. Achei que ficou um pouco fora daquilo que conhecemos como sendo a sua real história. Por outro lado, ao ver os aspectos técnicos do filme, me deparei com uma obra incrível, muito bem feita. Por isso, ainda não consegui decidir se gostei ou não do filme...

    Teseu é um jovem mortal que vive de forma tranquila e pacata em uma pequena vila, com sua mãe e um senhor - que, na verdade, é Zeus em forma de mortal. Até o dia em que o rei Hiperion, em busca de uma arma poderosíssima, destrói o vilarejo, mata a sua mãe e o faz prisioneiro. Enquanto é mantido prisioneiro, ele conhece uma vidente que o vê destruindo o temido rei, o que aumenta a sua sede de vingança.

    Como eu disse, não gostei da forma como os deuses e heróis da mitologia foram apresentados no longa. Pareceram-me fracos, sem a devida imponência que merecem. Achei que o filme apresenta uma versão meio distorcida dessas divindades. Zeus com pena dos mortais? Onde já se viu isso? Athena, a deusa da guerra, da sabedoria, da estratégia, uma menininha assustada? Sem condições! Também achei, no começo, tudo muito confuso, e demorei um pouco para me acostumar com quem era quem. 

    Mas não dá para não comentar os aspectos técnicos do filme. Muito bem feito. Efeitos excelentes, trilha sonora que dá um toque a mais nos momentos certos, fotografia brilhante, cenários muito bem construídos (o vilarejo onde Teseu mora é simplesmente lindo, encravado em uma montanha).

    Então, continuo dividida: tecnicamente é um ótimo filme, mas o enredo deixa bastante a desejar...

    sábado, 14 de janeiro de 2012

    Filmes

    Ok, hoje vou sair um pouco do tema livros, mas sem sair de verdade... Os dois livros que li até agora para o Desafio Literário foram adaptados para o cinema e aproveitei a deixa para ver os filmes. Na verdade, para revê-los, pois já os havia visto. Duas coisas me chamaram a atenção em ambas as obras: a primeira delas é que os filmes são extremamente fiéis aos livros e a segunda é que, em ambos os casos, a obra adaptada conseguiu superar a original, na minha opinião. São eles:

    Julie & Julia (Julie & Julia - 2009)

    Como eu disse antes, tenho um carinho especial por esse filmes, tendo em vista que este blog nasceu depois que eu vi o longa e fiquei morrendo de vontade de "imitar" Julie. O filme é mais clean que o livro, a meu ver. A principal coisa que me incomodou durante a leitura foi que a autora misturava muito os assuntos, tornando tudo muito confuso e até corrido. No filme, não vemos tanto isso.

    A história é leve e divertida e garante boas risadas. Meryl Streeo está simplesmente perfeita no papel de Julia Child, com seu sotaque acentuado e seu jeito meio "estabanado". Amy Adams também está bem, fazendo uma Julie bastante graciosa. A junção da história das duas mulheres, com suas semelhanças e diferenças, ficou muito boa, apesar de em alguns momentos o filme focar muito em Julia, deixando Julie um tanto de lado. 

    Com o perdão do trocadilho, um filme delicioso de se ver.


    Como água para chocolate (Como agua para chocolate - 1992)

    Aqui, também gostei mais do filme do que do livro, como dito anteriormente. O livro não me agradou muito, achei a leitura cansativa e bastante enfadonha. Mas, apesar do filme ser extremamente fiel ao livro, gostei bastante do filme. Um exemplo clássico, para mim, de que a mesma história, contada de formas diferentes, pode ser melhor ou pior. 

    O filme tem mais ritmo, não se perde tanto nas receitas e modos de preparo dos pratos. Ao dar vida e rostos aos personagens de Laura Esquivel, o diretor mexicano Alfonso Arau tornou-os mais críveis, fazendo um filme acima de tudo sobre o prazer, seja ele do amor ou da comida e transformando uma história um tanto mística em um filme mágico. Gostei bastante.

    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

    Desafio Literário 2012 - janeiro - livro 2

    Como água para chocolate
    Autora: Laura Esquível
    Editora: Martins Fontes
    Ano: 2001
    Páginas: 205
    ISBN: 8533602197
    Tradução: Olga Savary


    "Às vezes chorava em vão, como quando Nacha picava cebola, mas como as duas sabiam a razão dessas lágrimas, não as levavam a sério. Inclusive, convertiam-se em motivo de divertimento, a tal ponto que durante a sua infância Tita não percebia muito bem a diferença entre as lágrimas de riso e as de choro. Para ela, rir era uma maneira de chorar."

    Li muitas críticas positivas sobre esse livro, inclusive nas próprias resenhas do DL. Acho que foi um dos livros mais lidos do mês. Eu já tinha lido o meu livro "oficial", mas acabei decidindo ler esse também, justamente por causa dos comentários. E vou ter que discordar deles...

    O livro não me agradou muito. Muitas pessoas disseram que acharam interessante o fato de cada capítulo ter início com uma receita. Teve alguém até que disse que ia tentar fazer uma... gente, peloamordedeus, essas receitas não são de verdade!!! 

    Mas falando do livro propriamente dito. A história é muito fantasiosa, muito dramática, a meu ver. A leitura, pelo menos pra mim, se arrastou, e eu não via a hora de acabar. Não por eu estar empolgada e querer saber o final, mas pra me livrar logo. Quase abandonei no meio... E quando, finalmente, o final chegou, foi uma decepção. O último capítulo é muito louco e a narrativa ficou fora do contexto do resto do livro. Muito corrido, com um lapso temporal gigantesco, que não é dito logo no início, o que me gerou algumas dúvidas, como, por exemplo, quando é dito que Esperanza fez os convites do casamento. Fiquei me perguntando: como assim, ela é apenas um bebê?!?!? 

    Mas, mesmo sem a obra ter me agradado muito, destaco a personagem central, Tita, uma mulher de muita fibra! Gostei dela e foi só por isso que levei a leitura até o fim. Queria saber qual seria o seu destino. Eu vi o filme há algum tempo mas, pra ser sincera, não me lembrava da história (vou até rever). Enfim, dos livros que li até agora em 2012 (seis, no total), esse foi sem dúvida, o que gostei menos. Ainda pretendo ler dois do tema desse mês, espero que dê tempo!

    Nota: 3 (só por causa de Tita)

    quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

    Livros - Identidade roubada

    Identidade roubada
    Autora: Chevy Stevens
    Editora: Arqueiro
    Ano: 2011
    Páginas: 256
    ISBN: 9788580410129
    Tradução: José Roberto O'Shea




    "Às vezes volto ao dia do sequestro... repasso mentalmente minhas ações até os momentos finais do plantão, cena por cena, como um filme de terror que nunca acaba, um filme em que a gente não consegue impedir que a jovem abra a porta ou entre num prédio vazio... e me lembro da capa daquela revista, na lojinha do posto de gasolina. É bizarro pensar que neste exato momento alguma mulher está olhando minha foto, achando que sabe tudo a meu respeito." (pág. 17)

    "Minha dor é um furacão. Às vezes, consigo ficar de pé bem no olho dele, e, quando estou zangada, chego a desafiá-lo a me arrastar. Mas há ocasiões em que preciso me abaixar e me encolher, dando as costas ao furor do vento. Nos últimos tempos, tenho ficado encolhida." (pág. 129)

    Ouvi falar muito bem desse livro, li excelentes comentários sobre eles em outros blogs, daí a minha vontade de lê-lo. Mas devo admitir que no início o livro não me conquistou bastante. Explico-me: não faz muito tempo que eu li 3096 dias, que conta a história de Natascha Kampusch, uma garota que foi sequestrada ainda criança e passou 3096 dias em poder do sequestrador. Achei tudo muito parecido no início, só que com o detalhe de que a história de Natascha é real, enquanto essa nada mais é do que uma obra de ficção. Apenas uma coisa eu havia achado diferente e inovadora na obra de Chevy Stevens: o fato de cada capítulo corresponder a uma sessão de terapia. Também me chamou atenção, mas de forma negativa, o linguajar da protagonista, cheio de palavrões (meu lado puritano ainda não se acostumou com esse tipo de coisa em livros).

    (Spoiler) Mas aí o livro começou a crescer no meu conceito, com a presença de fatos inovadores, especialmente a gravidez e o nascimento da criança enquando Annie estava sequestrada. Fiquei bastante comovida quando a menina morreu. Achei a morte do sequestrador um tanto abrupta e inesperada, esperava que ela tivesse conseguido fugir, mas não que ele morresse.

    Aí o livro entra na fase pós sequestro, e é quando a história fica interessantíssima! Foi quando eu não consegui, literalmente, largar o livro. A cada página, queria saber o que iria acontecer, como a história iria se desenrolar e qual explicação seria dada para o sequestro.

    (Spoiler - final do livro revelado) Quando Annie começou a desconfiar do ex namorado e da melhor amiga eu praticamente surtei. Veio então o desenrolar da história e a descoberta de que o sequestro havia sido tramado pela própria mãe de Annie, só que as coisas não saíram do jeito que ela queria, aí eu quase infartei. Surpreendente e totalmente inesperado! Vi algumas críticas com relação ao motivo que levaram a mãe de Annie a mandar sequestrá-la, que foi um motivo muito besta e que estragou o final do livro. Mas foi exatamente isso que eu gostei. Porque, apenas por uma intriga antiga com a irmã, para não "ficar por baixo" a mãe de Annie quase conseguiu destruir com toda a vida e com os sonhos dela. Fez com que eu parasse um pouco para refletir na fragilidade da vida e em como pequenas atitudes, pequenas decisões podem mudar o curso de toda a nossa história.

    "- Muitas vezes, as pessoas fazem coisas terríveis a quem amam. Qualquer crime que você puder imaginar foi praticado ao menos uma vez." (pág. 233)

    Uma leitura que foi me envolvendo aos poucos e que ao final conseguiu me conquistar totalmente!! Mais do que recomendada!!

    domingo, 8 de janeiro de 2012

    Desafio Literário 2012 - janeiro - livro 1

    Julie & Julia
    Autora: Julie Powell
    Editora: Record
    Ano: 2009
    Páginas: 352
    ISBN: 9788501087126
    Tradução: Alice França


    "Não sei se Eric sentia orgulho por ter me apresentado à paixão da minha vida, ou culpado por ter transformado em uma obsessão insana meu impulso em satisfazer seus desejos inocentes por scargot e ruibarbo. Qualquer que fosse a razão, esta idéia de curso de culinária acabou como as nossas habituais conversas que não davam em nada" (p. 30)

    Eis que o ano começa no Desafio Literário com um tema leve e descontraído: literatura gastronômica. E eu não tive dúvidas na hora de escolher o livro deste mês (apesar de já ter uns dois ou três na fila esperando para serem lidos ainda em janeiro - se der tempo). Isso porque eu vi o filme quando passou nos cinemas e nutro por ele um carinho todo especial. Explico-me: foi após eu assistir a Julie & Julia que este blog nasceu. Eu tinha passado muito tempo longe do mundo dos blogs, mas a história de Julie Powell me inspirou a começar um novo. Portanto, se não fosse pelo filme, eu provavelmente não estaria aqui escrevendo este post.

    Sempre tive vontade de ler o livro, mas ficava sempre adiando, aliás, como fazemos todos em muitas situações... até que a oportunidade perfeita apareceu na forma do DL. E aqui estamos. Assim que terminei de ler o livro, revi o filme, e tenho que confessar que gostei mais do último... like I said, tenho um carinho especial por ele...

    Mas não me entendam mal, eu ADOREI o livro!!! A história é divertida, emocionante, arranca boas risadas. Só não levou nota máxima por uma única razão, algo que me incomodou durante a leitura: a autora mistura muito os assuntos. Em um parágrafo fala de uma coisa, depois vai para a receita, muda de assunto, volta para a receita... muita informação ao mesmo tempo!!!

    Mas vamos ao enredo, para quem não conhece: Julie Powell está prestes a completar 30 anos. Ela trabalha como secretária em uma agência governamental que ampara os parentes das vítimas do 11 de setembro, é casada desde os 24 anos, não tem filhos e ama cozinhar. Um belo dia, decide começar um projeto e preparar todas as receitas do livro de culinária francesa de Julia Child em um ano. Para relatar seu progresso, ela cria um blog. Com o início do projeto, ela enfrenta várias situações, algumas cômicas, outras dramáticas. Seu emprego é afetado, assim como seu casamento. Mas ela encara o desafio até o fim, mesmo com todos os contratempos.

    "Durante o período de duas semanas, no final de dezembro de 2002, aconselhada por Julia Child, dei início a uma agressividade assassina. Cometi atos horríveis e cruéis. Para minhas vítimas em potencial, nenhuma esquina escura do Queens ou de Chinatown estava a salvo do meu alcance diabólico. Se as notícias da carnificina não ganharam amplo destaque na imprensa local, foi apenas porque as minhas vítimas não eram alunas de escolas católicas ou enfermeiras filipinas, e sim crustáceos. Esta distinção significa que não sou uma assassina no sentido legal da palavra. Mas tenho sangue nas mãos, mesmo sendo o sangue claro das lagostas." (p. 173)

    É impossível não admirar a coragem de Julie Powell e sua persistência, além de ser também impossível não se identificar com ela, principalmente para nós, blogueiros. Quem nunca começou um projeto e o abandonou pela metade? Eu mesma abandonei o DL e tantos outros projetos aqui do blog ano passado, em uma fase "negra" e totalmente sem inspiração. Mas ela não, ela foi até o fim, mesmo colocando em risco seu trabalho, seu casamento, suas amizades e até mesmo a sua sanidade mental...

    "Atualmente, qualquer pessoa com um computador de merda e acesso à internet pode fazer ecoar seu uivo selvagem, qualquer que seja. Mas a surpresa é que, para cada pessoa que tenha algo a dizer, parece que há pelo menos algumas pessoas interessadas em ler. Alguns não têm nada a ver com aquilo." (p. 114)

    Mas, o melhor de tudo, o que eu mais gostei no livro, é o sentimento que Julie sente por Julia Child, mesmo sem tê-la conhecido e mesmo depois de saber que Julia não gostou muito do seu projeto. Julie realmente teve a sua vida tocada por Julia. Acho legal quando uma pessoa serve assim de inspiração para outra.

    "Segurei a manteiga e olhei para a foto. Era uma boa foto, retratava Julia com perfeita exatidão. Ela parecia amistosa, forte e faminta, com ombros e rosto largos e mente aberta, exatamente como quando surgia nos meus pensamentos todas as noites dos últimos doze meses. A Julia que vive em uma comunidade de aposentados em Santa Bárbara pode achar que eu não passo de uma pessoinha arrogante, irresponsável e desbocada. Se eu conhecesse essa Julia, talvez nem gostasse dela. Eu gostava da Julia que habitava minha mente, a única que eu realmente conhecia, afinal. E o mais importante: Julia, na minha mente, também gostava de mim." (p. 339)

    Ótima leitura. Nota: 4

    quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

    Um desafio realmente desafiante - janeiro

    Eis que hoje eu decidi me juntar a mais um desafio, cuja meta é ler e resenhar um livro por mês (temas no post anterior). O tema do mês de janeiro caiu como uma luva para mim, pois acabei de ler Claraboia, do escritor português José Saramago. Então, vamos às minhas impressões:

    Claraboia
    Autor: José Saramago
    Editora: Companhia das Letras
    Ano: 2011
    Páginas: 384
    ISBN: 9788535919837


    "Quando fores crescido, hás de querer ser feliz. Por enquanto não pensas nisso e é por isso que o és. Quando pensares, quando quiseres ser feliz, deixará de sê-lo. Para nunca mais! Talvez para nunca mais! Ouviste? Para nunca mais. Quanto mais forte for o teu desejo de felicidade, mas infeliz serás. A felicidade não é coisa que se conquiste. Hão de dizer-te que sim. Não acredites. A felicidade é ou não é." (p. 104-105)

    "No fim das contas, também eu faço parte do comum das gentes. Também eu terei, para alguns, o pensamento adormecido. Todos nós ingerimos diariamente a nossa dose de morfina, que adormece o pensamento. Os hábitos, os vícios, os gestos reprisados, os amigos monótonos, os inimigos sem ódio autêntico, tudo adormece. Vida plena!... Quem há aí de poder declarar que vive plenamente? Todos trazemos ao pescoço a canga da monotonia, todos esperamos, sabe o diabo o quê! Sim, todos esperamos! Mais confusamente uns que outros, mas a expectativa é de todos... O comum das gentes!..." (p. 254)

    Eu não pretendia ler esse livro nem tão cedo. A verdade é que meu pai ganhou de presente e, como ele estava hospedado aqui em casa e o livro estava dando bobeira, aproveitei a oportunidade. Para quem ainda não sabe, esse foi o segundo livro escrito por Saramago. Foi rejeitado pelas editoras, por isso o autor decidiu que não queria mais vê-lo publicado enquanto vivesse, deixando para os seus herdeiros a decisão de publicá-lo ou não, após a sua morte.

    A história se passa em Lisboa e narra a vida de seis famílias, que vivem em um mesmo prédio. Seus dramas, seus conflitos, seus desejos e segredos são desnudados pelo autor. É uma leitura interessante, porém não muito empolgante. Isso porque muita coisa acontece, mas nada acontece ao mesmo tempo. Não há um evento principal, marcante, que desencadeie uma série de outros eventos. Há apenas as seis famílias e suas vidas...

    Os personagens são os mais variados: um sapateiro e sua esposa, que alugam um quarto no apartamento para um jovem; uma prostituta, sustentada pelo seu amante; uma espanhola mal educada e mal humorada, bastante infeliz, casada com um português; quatro solteironas (duas irmãs e as duas filhas de uma delas), que vivem sob o mesmo teto, dentre outros.

    Duas coisas me chamaram atenção na obra. A primeira delas é o título, Claraboia, simples e bastante sugestivo, perfeito para as histórias narradas. Outra é a presença de sinais de pontuação na escrita do autor, conhecido por seus parágrafos intermináveis e pela ausência de pontuação. Mas não nessa obra. Pontos, interrogações, reticências, travessões e vírgulas são figuras constantes no texto de Saramago. Apenas no terço final do livro é que os parágrafos começam a se alongar, revelando o traço marcante do autor. Tinha momentos que eu até esquecia que era uma obra de Saramago, tão "normal" que ela parecia...

    (Spoiler) O que não me agradou no livro, como eu disse antes, foi a falta de um acontecimento marcante, chocante. Houve até algumas aberturas para isso, mas o enredo simplesmente não se desenvolveu da forma como eu esperei. Por exemplo, quando a tia manda fazer uma cópia da chave da gaveta da sobrinha para ler seu diário, achei que ela fosse descobrir o que havia se passado entre as duas irmãs, mas não havia nenhuma anotação no caderno; ou quando Paulino se encanta pela jovem e abandona a prostituta Lídia, achei que a jovem cederia e teria um caso com o patrão, mas isso também não aconteceu... até quando o pequeno Henrique e sua mãe voltam para a sua terra, vão com o consentimento do marido dela... Enfim.

    Mas, mesmo assim, Saramago é Saramago, e sempre podemos tirar algo de proveitoso da leitura dos seus livros.

    Um desafio realmente desafiante


    Mais um desafio do qual eu decidi participar... Esse também propõe uma lista de temas, a serem cumpridos por mês, com uma leitura. Não precisa de lista prévia, mas todo final de mês tenho que linkar minha resenha lá no Silêncio que eu tô lendo. Os temas são os seguintes:

    Janeiro: ler um livro de um autor europeu.
    Fevereiro: ler um livro que tenha um personagem com a inicial do nome igual à do seu nome.
    Março: ler um livro com a capa verde, vermelha ou azul.
    Abril: ler um livro que tenha cenas que se passem na África ou na Ásia. Não precisa ser o livro todo, mas pelo menos algumas cenas!
    Maio: ler um livro que seja o último de alguma série.
    Junho: ler um livro que virou filme.
    Julho: ler um livro com mais de 500 páginas.
    Agosto: ler um livro lançado no ano do seu nascimento.
    Setembro: ler um livro de um autor que já é falecido.
    Outubro: ler um livro de um autor do seu Estado.
    Novembro: ler um livro bem fininho. Com menos de 200 páginas.
    Dezembro: ler um livro que você tenha ganho de presente.


    A maioria dos temas é bastante fácil, apenas um ou dois vão dar mais trabalho. Mas, mesmo assim, vamos encarar o desafio!!! 

    Livros - As esganadas

    As esganadas
    Autor: Jô Soares
    Editora: Companhia das Letras
    Ano: 2011
    Páginas: 264
    ISBN: 9788535919752






    "Ele observa com o olhar carregado de cobiça a gorda esparramada sobre a mesa. Os seios enormes pendem para os lados, e o ventre dilatado, coberto de estrias, transforma a realidade em devaneio. Os vapores do haxixe encharcado em formol aglutinam no seu cérebro as imagens daquela gorda puta nua às da sua mãe. Ela, também gorda, também nua, também puta. Puta gorda. Gorda puta. Gorda filha da puta. Caronte já sabe o que vai preparar." (p. 64)

    "Ao ver o cadáver exposto na mesa do IML, Noronha concorda com o temeroso Calixto. Em vinte e cinco anos de polícia, nunca viu nada mais grotesco. Ninguém devia ser obrigado a passar por aquela experiência. Os maiores especialistas em filmes de terror teriam dificuldade em reproduzir a cena escabrosa que se descortina diante dele. Nem o aroma acre do charuto disfarça o cheiro inexprimível da morgue. É o cheiro da morte." (p. 69-70)


    Eu não gosto do apresentador Jô Soares. Acho que ele é metido, quer provar, em toda entrevista, que é mais inteligente, mais culto do que o seu entrevistado, além de ter a péssima mania de ficar "conduzindo" os entrevistados nas respostas, tentando fazer com que eles respondam às perguntas exatamente da forma como ele quer e, quando isso não acontece, fica forçando a barra. Só perde mesmo para Faustão...

    Já pelo Jô Soares autor eu me apaixonei assim que li seu primeiro livro, O xangô de Baker Street. Achei fantástico, com umas tiradas geniais, apesar de ter notado um pouco da mania de superioridade do autor na obra, com o excesso de eruditismo e a tendência a explicar algumas coisas que não precisam de explicação. Seu segundo livro, O homem que matou Getúlio Vargas, não conseguiu me conquistar e eu acabei abandonando a leitura e nunca mais tentei ler novamente. Com o terceiro, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, ele conseguiu se redimir, na minha opinião, mas mesmo assim algo me incomodou durante a leitura. Achei tudo muito parecido com o primeiro. Não no enredo, mas na estrutura, na fórmula. Foi como comer uma receita onde foram alterados apenas alguns ingredientes... Esse incômodo e a sensação de "Eu já li isso antes" só aumentou ao longo da leitura da sua última obra, As esganadas.

    Mais uma vez, um assassino está à solta nas ruas do Rio de Janeiro. A época, dessa vez, é o Estado Novo e as vítimas do assassino, mulheres gordas. Ele as mata por asfixia, fazendo-as comer iguarias típicas da culinária portuguesa. O resto, bem o resto se repete... a mistura de personagens reais à ficção, a presença de um personagem estrangeiro para ajudar nas investigações, o excesso de eruditismo (totalmente desnecessário - mania de querer ser mais inteligente que todos, lembram?), uma grande pitada de humor, um anão, um assassino perturbado - que culpa a mãe por ser quem é -, uma ópera...

    Eu estava curiosa para ler o livro, principalmente depois de toda a propaganda e todo o suspense em torno do seu lançamento. Não me atrevo a chegar a dizer que foi uma decepção, mas se trata, a meu ver, apenas de um livro bom, com uma fórmula desgastada e repetitiva. Mas uma coisa eu me atrevo a dizer: se o livro tivesse sido escrito por outra pessoa, certamente estaria se acumulando nas prateleiras das livrarias por todo o país!!