quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um desafio realmente desafiante - janeiro

Eis que hoje eu decidi me juntar a mais um desafio, cuja meta é ler e resenhar um livro por mês (temas no post anterior). O tema do mês de janeiro caiu como uma luva para mim, pois acabei de ler Claraboia, do escritor português José Saramago. Então, vamos às minhas impressões:

Claraboia
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011
Páginas: 384
ISBN: 9788535919837


"Quando fores crescido, hás de querer ser feliz. Por enquanto não pensas nisso e é por isso que o és. Quando pensares, quando quiseres ser feliz, deixará de sê-lo. Para nunca mais! Talvez para nunca mais! Ouviste? Para nunca mais. Quanto mais forte for o teu desejo de felicidade, mas infeliz serás. A felicidade não é coisa que se conquiste. Hão de dizer-te que sim. Não acredites. A felicidade é ou não é." (p. 104-105)

"No fim das contas, também eu faço parte do comum das gentes. Também eu terei, para alguns, o pensamento adormecido. Todos nós ingerimos diariamente a nossa dose de morfina, que adormece o pensamento. Os hábitos, os vícios, os gestos reprisados, os amigos monótonos, os inimigos sem ódio autêntico, tudo adormece. Vida plena!... Quem há aí de poder declarar que vive plenamente? Todos trazemos ao pescoço a canga da monotonia, todos esperamos, sabe o diabo o quê! Sim, todos esperamos! Mais confusamente uns que outros, mas a expectativa é de todos... O comum das gentes!..." (p. 254)

Eu não pretendia ler esse livro nem tão cedo. A verdade é que meu pai ganhou de presente e, como ele estava hospedado aqui em casa e o livro estava dando bobeira, aproveitei a oportunidade. Para quem ainda não sabe, esse foi o segundo livro escrito por Saramago. Foi rejeitado pelas editoras, por isso o autor decidiu que não queria mais vê-lo publicado enquanto vivesse, deixando para os seus herdeiros a decisão de publicá-lo ou não, após a sua morte.

A história se passa em Lisboa e narra a vida de seis famílias, que vivem em um mesmo prédio. Seus dramas, seus conflitos, seus desejos e segredos são desnudados pelo autor. É uma leitura interessante, porém não muito empolgante. Isso porque muita coisa acontece, mas nada acontece ao mesmo tempo. Não há um evento principal, marcante, que desencadeie uma série de outros eventos. Há apenas as seis famílias e suas vidas...

Os personagens são os mais variados: um sapateiro e sua esposa, que alugam um quarto no apartamento para um jovem; uma prostituta, sustentada pelo seu amante; uma espanhola mal educada e mal humorada, bastante infeliz, casada com um português; quatro solteironas (duas irmãs e as duas filhas de uma delas), que vivem sob o mesmo teto, dentre outros.

Duas coisas me chamaram atenção na obra. A primeira delas é o título, Claraboia, simples e bastante sugestivo, perfeito para as histórias narradas. Outra é a presença de sinais de pontuação na escrita do autor, conhecido por seus parágrafos intermináveis e pela ausência de pontuação. Mas não nessa obra. Pontos, interrogações, reticências, travessões e vírgulas são figuras constantes no texto de Saramago. Apenas no terço final do livro é que os parágrafos começam a se alongar, revelando o traço marcante do autor. Tinha momentos que eu até esquecia que era uma obra de Saramago, tão "normal" que ela parecia...

(Spoiler) O que não me agradou no livro, como eu disse antes, foi a falta de um acontecimento marcante, chocante. Houve até algumas aberturas para isso, mas o enredo simplesmente não se desenvolveu da forma como eu esperei. Por exemplo, quando a tia manda fazer uma cópia da chave da gaveta da sobrinha para ler seu diário, achei que ela fosse descobrir o que havia se passado entre as duas irmãs, mas não havia nenhuma anotação no caderno; ou quando Paulino se encanta pela jovem e abandona a prostituta Lídia, achei que a jovem cederia e teria um caso com o patrão, mas isso também não aconteceu... até quando o pequeno Henrique e sua mãe voltam para a sua terra, vão com o consentimento do marido dela... Enfim.

Mas, mesmo assim, Saramago é Saramago, e sempre podemos tirar algo de proveitoso da leitura dos seus livros.

3 comentários:

Mary disse...

Obrigado por comentar lá no meu blog a resenha do Mil dias na Toscana "Mil dias na Toscana". Como eu faeli na resenha, o livro é bom, mas ainda achei o "Mil dias em Veneza" melhor. Acho que produz um encantamento maior... Leia sim, vale muito a pena.
A propósito, Saramago é um dos meus autores favoritos, mas não me animei muito para ler esse livro, acho que não vou encontrar "o meu Saramago"...
bjs
Mary
http://tempestadeneural.blogspot.com/

NeyaRa disse...

Tbm to participando do desafio, mas ainda to pensando o que vou ler de fato, mas já tenho ideia. Acabou de chegar um livro de um book tour, ai eu tenho que da prioridade pra ele, né?!
beijo
http://capsuladebanca.blogspot.com/

Clícia Godoy disse...

Mate-me! Ainda não li nada do Saramago!
Mas vou ler em breve!
=)

Fiquei curiosa com o livro, e pulei o spoiler!
Hehehe

Bos Sorte no Desafio! Nos vemos em fevereiro!

Bjinhos
Psiu!
Silêncio Que Eu To Lendo!

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